A Bolota partiu.

Em 2024, com 10 anos de vida, dos quais 8 foram passados no abrigo, fizemos apelos para que fosse adotada. A sua história começou de forma dura, daquelas que custam a esquecer. Foi deixada amarrada ao portão do canil, juntamente com o seu amigo Dunga e três pequenos cachorros — bebés a quem já tinham cortado a cauda e as orelhas. Dos três, apenas um encontrou família. O Pinhão e o Feijão ficaram connosco (continuam cá), porque muitos não conseguem ver para além das marcas que outros lhes deixaram. A Bolota era um doce, sempre pronta para receber e dar carinho. Adorava os miminhos dos voluntários, fazia amizade com todos os cães do canil e tinha aquele jeito único de abanar a cauda como quem diz: “Estou aqui, quero apenas um pouco de amor.” O seu amor pela vida brilhava nos olhos, mesmo quando começaram a surgir os primeiros pelos brancos ou quando o corpo ganhou umas gramas a mais. Continuava linda. Continuava Bolota. A esperança nunca a abandonou. E nós também nunca deixámos de acreditar que a família certa estava algures, talvez até a ler os nossos apelos. Não aconteceu…

Hoje despedimo-nos dela com o coração apertado, mas também cheio de gratidão. A Bolota ensinou-nos sobre resiliência, doçura e a capacidade infinita de confiar e amar. Partiu rodeada de cuidado, de mãos que a amaram e de vozes que a chamaram pelo nome.

Querida Bolota , levas contigo um pedaço de todos nós.